Assembleia Municipal

QUE DESENVOLVIMENTO?

A Assembleia Municipal aprovou no passado dia 2 de Junho uma moção do PS no sentido de ser consultada e informada sobre o processo de elaboração do plano estratégico de desenvolvimento do concelho. 
A aprovação não evitou que Correta de Araújo (PP), Amadeu Morais (PSD) e Jorge Carvalho (CDU) tornassem claro que a comissão de acompanhamento da Assembleia não devia ter um papel passivo como até aqui. A comissão não devia existir apenas para ter acesso em primeira mão ao que o gabinete de desenvolvimento viessea fazer, não devia ser uma antecâmara de espera da Assembleia. 
Recorde-se que este plano estratégico, lançado há meses, permitirá o enquadramento jurídico necessário para o município poder concorrer a verbas da união europeia para financiar futuros projectos. 

O desenvolvimento paga-se 

Preocupações sobre problemas resultantes do desenvolvimento viário foram levantados pelo Presidente da JF de Anta, João Félix (PSD). Tudo por causa da insegurança criada pela construção da ligação do nó da Rua 19 a Miramar. 
De acordo com a recomendação aprovada, - já não contando com as presenças de Manuel Osório (PSD) e Manuel Salvador (PS) devido ao adiantado da hora -, a Câmara deverá exercer «toda a sua força» para pressionar as entidades competentes para construir uma ponte sobre a EN 326 (paralela ao IC1) para dar segurança aos moradores da Idanha e da Lagarta. Se a pretensão de Anta não for satisfeita, João Félix garante que se porá à frente do povo de Idanha para eventuais acções de carácter mais convincente. 
Levantou bastantes dúvidas uma outra recomendação do PSD de Anta solicitando a tomada de medidas para minorar o impacto ambiental negativo e perigos para a população de Anta com a construção de arruamentos que não garantem o bem-estar, segurança e qualidade de vida dos antenses. É que, para o PS e para a CDU, a recomendação era ambígua. 
Se, por um lado, mostrava preocupação com a segurança dos antenses devido às estradas que vão ser feitas para melhorar os acessos ao Parque da Cidade, a mesma preocupação devia ser extensiva a outras freguesias do concelho e não limitar-se a Anta, que foi acusada de estar a assumir demasiado protagonismo ou bairrismo, esquecendo a interdependência em relação às outras freguesias. 

Quiseram desenvolvimento... 

Rolando de Sousa interveio para contestar as duras críticas de Jorge Alves (PSD) sobre a falta de previsão dos impactos causados por projectos como este. A estrada de acesso ao Parque da Cidade estava prevista há 20 anos e o PDM fora aprovado há dois, sem que Anta se tivesse queixado uma única vez. 
O curioso é que, na sequência de pedidos de esclarecimento por parte de diversos vogais, Rolando de Sousa viria a confirmar que a Câmara não previra, nem nunca tinha pensado, nos problemas que as novas acessibilidades, de trânsito rápido, poderiam um dia vir criar às populações de lugares como Guimbra, Idanha, etc. 
A CDU ainda tentou convencer o PSD de Anta a alargar o âmbito da recomendação a todas as freguesias do concelho, mas Jorge Alves foi claro e contundente. Não aceitava alterações, o assunto era bem concreto e o PSD no passado já aprovara recomendações relacionadas com assuntos tão concretos e comezinhos como as floreiras da Rua 19. 
Foram pois postas à votação duas propostas: a do PSD e a da CDU com as modificações alargando o âmbito da recomendação. Mas se a proposta da CDU passou com 8 abstenções do PSD e do PP, a do PSD foi chumbada. É que só o PSD votou favoravelmente ( 7 votos). Contra estiveram o PS e a CDU ( 10). O PSN e o PP abstiveram-se.

Octávio Lima
Espinho Vareiro, 13 de junho de 1995