TUDO COMO DANTES
Cuidado com os números das famílias residentes em barracas, disse Rolando de Sousa na passada 6ª feira, 17 de Maio. É que, segundo aquele Vereador, o programa de irradicação de barracas tinha verbas próprias, adequadas ao número de barracas detectadas em devido tempo pelos serviços camarários. E em Guetim tinham sido localizadas e, consequentemente, inscritas no programa, 14 famílias. Não viessem agora dizer que havia 25 famílias carenciadas de habitação condigna. Porque é que na devida altura não se tinham declarado?
14 Barracas?
Os pontos nos is de Rolando de Sousa vinham na sequência da referência, por parte do Presidente da JF de Guetim, da possibilidade de, com os 100.000 contos previstos no orçamento da Câmara para 1996 se adquirir duas parcelas de terreno em Bouços para construir cerca de 20 casas sociais. Sim, porque inscritas estavam 14 famílias no tal programa de erradicação de barracas. Mas Alfredo Rocha garantia que havia 25 famílias carenciadas! Tudo porque, na altura, algumas pessoas tinham tido vergonha de se inscreverem...
Dificuldades de tesouraria
Não podia ser nada, reafirmava Rolando Sousa. A Câmara já estava comprometida com um programa de realojamento que tinha detectado 458 barracas no concelho e não era agora que se ia introduzir alterações. Até porque a Câmara andava com dificuldades de tesouraria. As mesmas que até agora tinham impedido a aquisição dos tais terrenos para construção social em Guetim. Além disso, continuava Rolando de Sousa, a Câmara estava mais preocupada com casos reconhecidamente mais prementes do concelho, como por exemplo Paramos, Silvalde e Anta. Mesmo em Anta, era muito difícil encontrar terrenos para construção social... Muita calma, portanto. A Junta e a Assembleia queriam urgência na resolução do problema. A Câmara vai ver.
Habitação clandestina
«Apesar de serem clandestinos, as pessoas preocupam-se em ordenar aquilo que fazem» afirmou Alfredo Rocha (PSD), para, na qualidade de Presidente da Junta de Freguesia de Guetim, pedir à Câmara para tomar medidas urgentes e adequadas para conter a construção clandestina e legalizar a que, infelizmente, fora construida ilegal mente.
A culpa não era da JF de Guetim, dizia Manuel Osório (PSD). Grande parte da culpa devia ser atribuída à Câmara que não tinha prestado o apoio que devia prestar. Dir-se-ia, continuou Manuel Osório, que Guetim também sofria do fenómeno da interioridade e que era prejudicada em relação a outras freguesias mais urbanas e situadas junto ao litoral. O documento viria a merecer o consenso.
Desporto popular
O PSD fez aprovar um documento lembrando à Câmara um maior apoio ao Desporto Popular sem esquecer Guetim.
Antes de votada, a questão fora objecto de acesso e prolongado debate. É que Manuel Osório apresentara a proposta precisamente depois dos clubes locais se lhe terem queixado de que não recebiam nenhum subsídio camarário. Ora sucede que a Câmara financia a Associação de Futebol Popular que, por sua vez, conhecedora das realizações dos clubes, redistribui os subsídios...
Sede adiada
A Junta e a Assembleia mais uma vez se uniram para lembrar à Câmara a construção da nova sede da Junta. Constou que o caso não tinha sido desbloqueado em quatro anos devido a um aparente quipróquó entre a Junta e a Repartição Técnica que apenas defende a realização de obras no actual edifício.
Entretanto, Rolando de Sousa foi dizendo que a sede não é para agora. É que o Plano de Actividades para 1996 não fala disso. Muita calma, portanto.
(...)
Finalmente, no período destinado ao público, interveio João Ribeiro, para, entre outras questões, se interrogar sobre o seguinte: a Câmara tem funcionários para limpar o pó às secretárias e servir cafés e não tem ou não pode ceder funcionários para, durante alguns dias, limpar as valetas da Freguesia?
Bastidores
Nos bastidores da reunião de 6.ª feira, 17 de Maio, a ideia da Assembleia reunir nas diferentes Freguesias era encarada por alguns guetinenses, que nos pediram o anonimato, como sendo paternalista, inútil e cara. Paternalista, porque assim se dava a ideia de que, para se resolver problemas de uma freguesia, era preciso a vinda providencial dos «senhores de fora», talvez porque «profetas da terra não obram milagres». Inútil, porque, como se tinha visto, já se tinha feito o mesmo há quatro anos e não se via efeitos nenhuns. Cara, porque a Câmara tinha que pagar mais horas extraordinárias a funcionários para preparar cópias dos documentos, instalar o sistema de som e de gravação, etc. E mesmo assim, não tinha havido beberete como há quatro anos!
Octávio Lima
Espinho Vareiro, 24 de maio de 1996