ANTA NA CRISTA DA ONDA
«PELUDOS» HÁ MUITOS
João Félix, o dinâmico Presidente da JF de Anta, foi alvo de duras criticas na reunião da Assembleia de 23 de Maio.
Tudo aconteceu na sequência da intervenção de João Félix defendendo a urgente construção de um «quintal desportivo» no Bairro da Ponte de Anta «para a juventude despejar as suas energias», como disse o Presidente da JF de Anta.
Só que João Félix não se quedou pelo «quintal desportivo». Arregaçou as mangas e acusou «certas forças políticas» (sic) de estarem a visitar o Bairro da Ponte de Anta e a fazer promessas à revelia da Junta. Para o Presidente da Junta as coisas públicas faziam-se colegialmente, no executivo da Junta, não por trás.
Auscultar é preciso
As críticas de João Félix não caíram em saco roto e, chegada a hora do público intervir, quatro cidadãos eleitores inscreveram-se e protagonizaram um cerrado contra-ataque.
Para o primeiro inscrito, Rui Loureiro (PS), Tesoureiro da JF de Anta, tudo o que fora dito era falso: «Nem na minha campanha prometi fosse o que fosse a quem quer que fosse. O Sr. João Félix está a deixar-se manobrar por forças de fora da J unta».
Depois de Maria Branca Loureiro (PS), interveio Fernando Fernandes (CDU), «Secretário da Junta de Freguesia de Anta por indicação do Sr. João Félix», para discordar do Presidente da Junta: ninguém pode impedir os Partidos representados na JF de ouvir os fregueses.
Capelinhas defendidas
Depois do 25 de Abril ninguém podia impedi-lo de auscultar os problemas das pessoas e depois transmiti-los à Junta, frisava António Gomes da Silva (CDU), vogal da Assembleia de Freguesia de Anta. Ainda por cima depois de ter sido emigrante durante 30 anos e de não poder entrar em Portugal durante 16. Mais: o jornal «Defesa de Espinho» tinha feito uma reportagem «falsa e caluniosa» do que se passara na Assembleia de Freguesia sobre a atribuição do nome de SALGUEIRO MAIA ao largo da urbanização do Souto, vulgo Capelinhas.
Peludos, que futuro?
Uma comissão deverá estudar a introdução de correcções e alterações ao actual regulamento das feiras, deliberou a Assembleia na passada 2ª feira, 23 de Maio.
Após duas horas de argumentação, o PSD, apoiado pelo PSN e pelo CDS, conseguiu ver aprovado à tangente o principal ponto da sua recomendação. Em causa estava o progressivo desvirtuamento da feira dos Peludos e o PSD pretendia fazer corrigir a situação. A comissão, composta por representantes de todos os Partidos representados na Assembleia, deverá propôr alterações ao actual regulamento das feiras e tornar bem claro o âmbito das antiguidades, das velharias e do coleccionismo. E nisto até todos se mostraram de acordo, tendo Jorge Carvalho (CDU) sintetizado: «Todas as antiguidades são velharias, mas nem todas as velharias são antiguidades».
O sonho do PSD
Entretanto, caía por terra o sonho recente do PSD fazer transferir as feiras para o pelouro da Cultura. Jorge Carvalho ainda concordaria, mas se em cada mês houvesse uma feira dos Peludos temática. Saudade Manso Preto (CDU) frisava que isto de antiguidades não passava de um rico negócio, que muito pouco tinha a ver com Cultura.
Se as feiras fossem para a Cultura, o actual regulamento das feiras teria de ser radicalmente alterado uma vez que a maioria dos comerciantes que lá estavam talvez não pudessem lá continuar.
Mas caberia a Carlos Gaio (PS) dar o golpe final. A pretensão do PSD era atrevida pois interferia com as competências do Presidente da Câmara. Só este tinha competências para distribuir pelouros, e o PSD queria agora alterar o sistema.
O quintal desportivo
O PSD fez também aprovar uma recomendação para a construção de um «ringue» (?) desportivo no Bairro da Ponte de Anta. O processo de implantação do «ringue» (?) terá de ser feito ainda este ano, «com carácter de urgência» (sic), no sentido de se recuperar socialmente aquela área, «para a juventude despejar as suas energias», como disse João Félix, o Presidente da JF de Anta, eleito do PSD.
CDU samaritana
Sobre o assunto interveio Jorge Carvalho. Já em 1976 ele tinha chamado a atenção da Câmara para o «megaghetto» que se iria criar com a construção do Bairro da Ponte de Anta. Posteriormente, a CDU, com o dinheiro das senhas de presença dos seus vogais nas reuniões da Assembleia de 1985-86, comprara diverso equipamento para instalar num parque infantil naquela área. Mas o equipamento nunca fora lá colocado. A justificação oficial dada na altura à CDU foi que a Repartição Técnica nunca chegara a fazer o estudo da implantação do tal parque infantil. E Jorge Carvalho acrescenta: «Talvez com medo que as crianças saissem comunistas depois de andarem nos baloiços oferecidos pela CDU». O equipamento acabaria por ser oferecido à Vila da Feira.
Mais estacionamento
O CDS fez ainda aprovar, por unanimidade e sem qualquer discussão, uma recomendação para a Câmara prever mais espaço para estacionamento, e uma proposta para a Assembleia efectuar uma sessão em cada uma das quatro freguesias não urbanas do concelho.
Octávio Lima
Espinho Vareiro, 3 de jungo de 1994