Bairro da Lomba tomado de assalto

Um bairro de 26 casas pré-fabricadas construído há mais de 3 anos e ainda por distribuir, motivou a sua ocupação parcial por famílias da freguesia de Paramos, onde se encontra localizado.

A situação do bairro em causa é mais uma prova evidente da deficiente actuação do ex Fundo de Fomenta da Habitação por todo o país. De facto, as casas erigidas em 1980 foram esperando pelo abastecimento de água e instalação do saneamento e hoje ainda necessida da instalação eléctrica, visto a firma adjudicatária da empreitada não ter cumprido o contrato respectivo.

Entretanto, no ano findo, o Fundo de Fomento aprestou-se a comunicar à Câmara Municipal que reservava um certo número de fogos para desalojados das ex-colónias. Todavia, as casas foram construídas especificamente para alojar vitimas dos devastadores temporais de 1978, e esse direito, devidamente evocado pela actual Câmara, repôs a legalidade inicial. Assim sendo, a Junta de Freguesia de Paramos elaborou um lista de famílias para a ocupação dos fogos construídos, aguardando-se unicamente a ligação da electricidado.

Incompreensivelmente, no passado sábado, 3 famílias resolveram ocupar três fogos e na segunda-feira, já eram 18 as famílias instaladas.

À solicitação da Câmara compareceram forças da GNR do Posto de Espinho que tentaram, conciliadoramente, convencer os acupantes a abandonarem as casas. Tal não surtiu efeito e à noite a Câmara de Espinho reuniu extraordinariamente com a Junta de Freguesia de Paramos, tendo deliberado, por unanimidade, repor a legalidade, solicitando às autoridades o desalojamento dos ocupantes indevidos, o que será feito. Hoje, terça-feira, e sem que tivesse havido quaisquer incidentes, na presença de funcionárias administrativos, os ocupantes cumpriram as ordens oficiais e sairam das casas.
Espinho Vareiro, 24 de junho de 1983