CINEMA ENCERRADO DESDE SETEMBRO
O Casino de Espinho não gostou que a Assembleia Municipal condenasse a demora no projecto nas obras que pretende levar a efeito mormente na sua sala de cinema. Aliás não se percebe (ou percebe?) lá muito bem como é que o Estado, proprietário do edifício já autoriza o dispêndio de milhares de contos de obras num edifício construido há poucos anos. Mas também não é para perceber...
O caso, por insólito, dado que o casino está desde Setembro para fazer as tais obras de remodelação da sala de cinema (há quem afirme, sem maldade claro, que a sala é para ser transformada numa sala de congressos, coisa que só por maldade se afirma, claro) foi posto à Assembleia Municipal em Abril e aprovado. Depois foi oficiado à empresa explorada do Casino de Espinho transmitindo o voto de condenação da demora.
Os administradores da exploradora não gostaram e escreveram ao presidente da Assembleia para «manifestar a nossa estranheza pela inusitada ingerência na gestão desta sociedade...» Continuando, os administradores afirmam que «Sendo o Casino Solverde-Espinho (insistem em rebatizá-lo) propriedade do Estado, a realização de quaisquer obras como as de remodelação geral actualmente em curso... são objecto de acompanhamento e fiscalização permanente por parte dos departamentos governamentais competentes que para o efeito colaboram com a Inspecção-Geral de Jogos».
Exactamente, é aqui que a coisa deve estar mal. Que raio de fiscalização permanente terá interesse em que as obras iniciadas em Setembro passado mantenham a sala de cinema fechada por falta de obras? Que interesses tem a Inspecção Geral de Jogos para condescender com tamanha demora e priva os espinhenses de usufruir da sala de cinema? As obras não terão prazo de execução para cumprir como qualquer obra particular ou pública?
Mas o mais interessante da missiva enviada à A.M. é a exploradora do Casino de Espinho «repudiar veementemente a proposta da Assembleia Municipal de Espinho por a mesma, além de despropositada, ser inconveniente pelas insinuações grosseiras e inexactas, constituindo uma tentativa de ingerência inadmissível na gestão de empresa». Mas não diz o que é inexacto. Decididamente a culpa desta arrogância destemperada cabe inteirinha ao Conselho de Inspecção de Jogos por não saber minimizar os inconvenientes dumas obras que duram há nove meses, estando aí o verão sem que o Casino ofereça todas as potencialidades de diversão a que o contrato com o Estado português obrigou.
Mas cada terra tem o Casino que merece.
Espinho Vareiro, 25 de junho de 1993