O Secretário de Estado da Administração Educativa mandou fazer um inquérito sobre a veracidade e o alcance das acusações de José Mota em relação ao papel desempenhado por Eduardo Pinto da Silva no processo que envolve as expropriações de terrenos para a construção da Escola Domingos Capela em Silvalde.
Tudo porque, conforme noticiámos na nossa edição de 30 de Maio, José Mota acusara Eduardo Pinto da Silva de ser o principal consultor jurídico da Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) no processo de expropriações de terrenos para a construção da Escola Domingos Capela em Silvalde, e, simultaneamente, perito de expropriados de terrenos na área do Parque da Cidade, a cerca de 300 metros daquela Escola, onde a Câmara pretende desenvolver e implantar outros projectos.
José Mota considera este tipo de incompatibilidades pura e simplesmente inaceitáveis. Por isso, veio a terreiro exigir, a bem da transparência, a demissão de Oliveira Martins. Este, por sua vez, puxa agora dos galões e impõe um inquérito ao seu subordinado hierárquico.
Exorbitâncias
Recorde-se que o imbróglio foi criado na sequência da recusa, por parte da Câmara de Espinho, de pagar valores por terrenos expropriados que considerou exorbitantes, tendo, para tal denunciado, em 30.09.96, o acordo de colaboração com o Ministério da Educação. Por sua vez, a Secretaria de Estado da Administração Educativa depositou o dinheiro à ordem do tribunal e anunciou a intenção de processar a Câmara por incumprimento do acordo estabelecido.
Cérceas
Refira-se, entretanto, que Eduardo Silva, o visado, confrontado com as acusações de José Mota, afirmou que a jogada do Presidente da Câmara de Espinho apenas pretendia fazer desvalorizar os preços dos terrenos do Parque da Cidade. Mais: que a confusão tinha sido causada pela própria Câmara de Espinho ao aprovar, para a área envolvente da Escola Domingos Capela, uma volumetria de construção demasiado elevada.
Espinho Vareiro, 13 de junho de 1997