1995 - O QUE ALGUNS DISSERAM, DE ABRIL PARA CÁ
Alfredo Rocha (PSD)
«Tinha-se comprometido com o PS, mas como não aceitou o segundo lugar, foi vender-se ao CDS/PP, com a condição de ser cabeça de lista.» (« MV» 11.5.95- acusando João Ribeiro (PP) de oportunismo político - Assembleia de Freguesia de Guetim de 27.4.95)
«Só que o sr João Ribeiro, além de não ser jornalista, serve-se do Maré Viva para fazer passar as suas opiniões e dar as respostas que não é capaz de dar no local próprio, ou seja, na Assembleia de Freguesia. Além disso, o sr João Ribeiro, autor do artigo em causa, abusa da boa fé dos leitores, encobrindo-se e deturpando a informação referindo-se a si próprio na 3ª pessoa do singular, o que leva o leitor a não perceber que o autor do artigo é o mesmo sr João Ribeiro, vogal da Assembleia de Freguesia.» («MV» 25.5.95)
«João Ribeiro não tem credibilidade política e muito menos jornalística. O sr João Ribeiro diz no referido artigo que ripostou às acusações do presidente. A verdade é que o sr João Ribeiro nem abriu a boca em relação ao que lhe foi dito, tendo vindo responder através do Maré Viva.» ( ibidem).
«[O Sr João Ribeiro] Esteve nas listas do PS mas quando verificou que não seria figura de cartaz retirou-se indo cair na lista do CDS/PP, mas sendo já a 4ª escolha.» (ibidem)
Camarinha Lopes (PSD)
«No passado, procurava-se atingir o presidente através de ataques pessoais de baixo nível. Recordo-me da questão do carro presidencial, das passadeiras, dos buracos nas ruas... Enfim, problemas que, ao longo do mandato actual, se mantiveram ou foram mesmo agravados.» (« DE» 1.6.95)
«A Câmara tem-se cingido à gestão corrente e à execução das obras que vêm do mandato anterior (...) São os serviços da Câmara que apresentam a quase totalidade das propostas apresentadas nas reuniões (...) Não vejo o presente executivo como um grande empreendedor de dinamismo.» (ibidem)
«Ele [Casal Ribeiro] melhor do que ninguém, é que poderá responder por que motivo deixou de fazer oposição sistemática. Talvez tenha a ver com o facto de, neste mandato, possuir competências delegadas...» ( ibidem)
Casal Ribeiro (CDU)
«Globalmente tem sido um mandato muito positivo. A actual forma de gestão da Câmara é, de longe, superior à do mandato anterior. Grande parte desta dinâmica deve-se ao presidente. O Sr José Mota tem um conhecimento político e uma facilidade de contacto muito assinaláveis.» ( a DE», 18.5.95)
«A Câmara prevê arrecadar este ano cerca de 220 mil contos com as quotizações dos comerciantes. Apesar desta importante verba, a Feira acarreta alguns problemas para a cidade, nomeadamente no sector da limpeza e do trânsito.» (ibidem)
Correia de Araújo (CDS-PP)
«A democracia pode estar doente. Porque democracia não é ter um pais cativo, à espera da decisão de um Homem, ainda que esse Homem seja primeiro ministro e mesmo que a essa decisão ou indecisão lhe chamem tabú. Porque democracia não é ver um país suspenso ou paralisado, como que em catalepsia, de olhos postos num Congresso partidário, quando afinal o que de mais importante ocorreu nesse Congresso foi apenas uma "gaffe". Porque democracia não é ter um país onde as palavras elitista, sulista e liberal foram durante dias, quiçá semanas, mais importantes do que as palavras desemprego, fome, insegurança ou solidariedade. Porque democracia não é ter um país adiado, à mercê de questiúnculas pessoais, de guerrilhas institucionais, de confrontos entre Belém e S. Bento ou vice-versa, para no fim e em nome dos brandos costumes lhes chamarem apenas "arrufos de namorados". (...) Porque democracia não é ter um país onde a polícia está na rua contra estudantes ou contra os trabalhadores mas não se vê para defender o cidadão. Porque democracia não é ter um país onde a justiça é lenta, cara e ineficaz e onde pontifica um código penal que castiga a vítima e estimula o agressor. Porque democracia não é ter um país onde dia a dia se agravam as desigualdades sociais e aumenta o desemprego. Porque democracia não é ter um país onde se paga aos industriais e empresários para que não produzam e aos agricultores para que não cultivem e abatam as suas colheitas. Esta não é seguramente a democracia com que tantos sonharam e por que tantos lutaram.» (Assembleia Municipal - 25.4.95)
«O Dr Jorge Carvalho diz que o meu partido defende o aumento de estabelecimentos prisionais. Então, nessa perspectiva, a sigla PP devia significar prisão perpétua. Esteja descansado que nós somos defensores da liberdade e da tolerância.» (Assembleia Municipal, 5.5.95)
«Numa entrevista ao Maré Viva, o senhor presidente da Câmara disse, a propósito da televisão por cabo, que lamentava ser intenção da empresa instalar a rede só na cidade e não em todo o concelho. Agora, na introdução ao seu último relatório à Assembleia, diz que pretende tomar a cidade mais visível, mais atractiva e competitiva. Então, o que é mais importante, a cidade ou o concelho?» (ibidem)
«As medalhas só têm sido para homens e de direita. E isso é muito significativo...» (Assembleia Municipal, 2.6.95)
Fernando Fernandes (CDU)
«Renuncio ao meu mandato de secretário da Junta de Freguesia de Anta principalmente por motivos de saúde e pelo comportamento de pessoas que nada fazem e só sabem perturbar e desmotivar aqueles que algo desejam construir.» ( 1.5.95)
Ilídio Silva (SCE)
«O Espinho tem que estar eternamente grato à Câmara Municipal e à Solverde. Se não fossem eles, já estávamos na 3' Divisão. Temos comerciantes e grandes promotores imobiliários que nada dão ao Clube e em contrapartida ganham centenas de milhares de contos à custa do Espinho, estão completamente alheios ao Espinho.» (Assembleia Geral do Sporting Clube de Espinho, 24.2.95)
«Não sei se valerá a pena ser presidente do Espinho quando existem pessoas que colocam em causa o dinheiro que recebemos da Câmara.» (ibidem)
Jorge Carvalho (CDU)
«E aqui deixo a pergunta erguida por Almeida Garrett, há mais de 150 anos, no capítulo III das "Viagens na minha Terra": "pergunto aos economistas políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar à miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infâmia, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico?" E infelizmente essa foi a política do PSD: lançar muitos milhares de portugueses para a miséria a fim de fabricarem alguns novos ricos. (...) A estrada do socialismo ainda está por percorrer (...) Infelizmente o futuro imediato não é risonho porque temos um Partido Socialista que se já esqueceu o que é o socialismo, que perdeu a chave da gaveta onde há quase vinte anos trancou o socialismo e, no essencial, defende as mesmas políticas do PSD. (...) os velhos vivem a solidão do abandono com reforminhas de envergonhar, a saúde é para quem tiver dinheiro pois aos pobres metem-lhes alumínio no sangue das hemodiálises e sida nas transfusões sanguíneas (...) Os latifúndios foram restaurados e reconvertidos em imponentes coutadas de caça onde os velhos e novos poderosos se divertem a matar pássaros, coelhos e javalis a tiro e indirectamente a matar camponeses à fome, ao desprezo e à seca (...) A corrupção campeia impune e os "tachos" são desenvergonhadamente distribuídos pelos amigos políticos. A qualidade e a competência foram substituídos pela cunha e pelo cartão do partido do poder. Portugal orgulhoso de mais de 800 anos de história e do tempo em que, em Tordesilhas, partilhou metade do mundo, hoje recebe esmolas europeias para comprar as sobras pois os outros é que decidem o que devemos semear e o que devemos produzir. Portugal, país de marinheiros prontos a enfrentar o Adamastor e a dar novos mundos ao mundo, hoje até para pescar a palmeta em águas internacionais necessita de autorização e padrinhos. Estamos integrados numa União Europeia onde a voz dos terceiros Canadá ou da Indonésia é mais escutada que a nossa.» (25.4.95 - Assembleia Municipal)
«Nunca tinha demorado 40 minutos a descer a Rua 19. Mas como um jornal resolveu fazer publicidade da minha posição na última reunião, fui abeirado por muitas pessoas para me darem os parabéns, por ter-me oposto aos exageros do desporto profissional. Eu não sou contra o Sporting de Espinho. Sou é contra o profissionalismo que se instalou em certas modalidades destruindo o purismo do desporto amador. Sou contra a concessão de subsídios por parte da Câmara, para pagar ordenados a profisisonais enquanto se esquece o apoio aos que trabalham desinteressadamente pela dinamização desportiva do concelho.» (ibidem)
José Mota (PS)
«Espinho situa-se num interface ferroviário do eixo Norte-Sul com a ligação aos concelhos do interior, o que, neste aspecto, transforma a autarquia numa autêntica placa giratória de importantes polos económicos.» (9.3.95 - Sessão de Abertura do 1 Encontro de História Local de Espinho)
«E na especificidade de uma cidade jovem que mais significado tem um projecto para ganhar o futuro. Esse projecto assenta no conhecimento das potencialidades de Espinho como localidade do litoral. Por isso estamos a potenciar a sua integração na Área Metropolitana do Porto, o que, simultaneamente, situa o Concelho na fronteira entre esta região e o Distrito de Aveiro.» (ibidem) «Espinho é, de facto, um paraíso à beira-mar. As suas praias, de qualidade reconhecida pelos mais rigorosos padrões das Comunidades Europeias, a sua gastronomia, o seu Sol, o seu mar - que acolhe cada vez mais manifestações desportivas de âmbito mundial, as suas gentes, ganham cada vez mais fama quer dentro do nosso próprio país quer em âmbito internacional.» ( 18.3.95 - Sessão de Abertura do Encontro Mundial de Mulheres Migrantes)
«(...) se estavam a pensar que nós aceitávamos ser a garagem de reparações doutros concelhos, estão muito enganados.» (à MV» 27.4.95 - contra penitenciária feminina no Formal)
«Antes de [EU] chegar à Câmara, o que se verificava é que em Lisboa ninguém conhecia Espinho. Hoje, não só sabem onde fica, como elogiam a cidade. Espinho estava adormecido. Hoje fala-se do concelho em Portugal e no estrangeiro.» («DE», 27.4.95)
«É muito difícil trabalhar com a legislação que temos, que é muito limitativa, e, por isso, é natural que surjam pequenas ilegalidades. Mas não aceitamos a ideia que se tem procurado criar a ideia de que ser autarca é uma vigarice.» (9.5.95- Câmara Municipal, por ocasião da visita de uma representação parlamentar do PS chefiada por Jaime Gama.)
«Estas casas [as 48 que estão a ser construídas na Marinha] não são para vender. Portanto, há 48 famílias que, se calhar, antes do próximo Natal, têm o seu problema resolvido.» (ao MV» 11.5.95) «Estou convencido que há ali potenciais cientistas deste país. É gente inteligente. Às vezes fico espantado quando estou a falar com pessoas analfabetas, observo-as e analiso-as e dou por mim a pensar como são inteligentes aqueles miúdos [do bairro da Marinha]. Se lhes dermos meios, eles podem, com toda a certeza, resolver os seus problemas.» (ibidem)
«Porventura estranharão algumas pessoas menos avisadas que o relacionamento entre o presidente socialista de uma Câmara e o presidente social-democrata de um organismo como a CCRN seja tão estreito e afável. Aqueles que assim pensam, apenas demonstram uma indiscutível pequenez de espírito.» (20.5.95 - Na cerimónia de homologação dos projectos das acessibilidades - ligação do nó de S. Félix da Marinha à Ponte de Anta, a ligação da rua 19 ao Parque da Cidade e a Rua 32)
«Estas acessibilidades vão provocar uma saudável fluidez no trânsito que se movimenta de ou para Espinho.» (ibidem)
Rolando de Sousa
«Sempre tive o melhor relacionamento com os anteriores presidentes da Câmara. A todos procurei responder com o que me era solicitado. No mandato do Senhor Artur Bártolo, recordo-me da forma harmoniosa com que ele conseguia gerir os recursos que tinha ao seu dispor. Quanto aos Senhores Lito Gomes de Almeida e Romeu Vltó, meus amigos pessoais há muitos anos, digo apenas que foi um grande prazer trabalhar com eles. O José Mota revela uma experiência política invulgar e uma grande capacidade de liderança do grupo de trabalho.» («DE» 11.5.95)
«Demiti-me do PS por via da minha candidatura às eleições autárquicas, mas obviamente que continuo socialista. Não penso nisso [em voltar a inscrever-me no PS]. Está fora de causa o partido em que vou votar nas próximas eleições legislativas. As ideias, as formas de governar e a preocupação social que o PS demonstra vão de encontro aos objectivos que eu persigo na política.» (ibidem)
«Neste momento, o que acontece é a desordem total. Um determinado indivíduo constrói uma mansarda, o vizinho queixa-se mas também fez uma marquise que incomoda as restantes pessoas... Enfim, como a Câmara nunca tomou uma atitude nesses casos, seria injusto proceder à demolição de uns casos e esquecer-se de outros.» (ibidem)
«Só falta eu dormir aqui.» (Assembleia Municipal, 2.6.95)
Octávio Lima
Espinho Vareiro, 13 de junho de 1995