Não há hepatite na costa. Claro que os bichinhos que provocam a hepatite não são coleiformes fecais que infestam a nossa costa onde sai o esgoto, ali na zona da pesca, até á praia daApúlia junto a Esposende. Ou na costa do Estoril onde desaguam os esgotos da capital enquanto, como aqui, o emissário da rilhotada não os levar liquefeitos, mar dentro. Ou ali em Matosinhos e áreas adjacentes para onde vão os da área metropolitana do Porto.
Esta situação cá na nossa terra era escusada há um par de anos a esta data se não tivesse existido uma inconsciente dormência dos nossos ditos responsáveis pela coisa pública. E quem dorme não pode tomar em devida responsabilidade casos ultrapassáveis como era o tal.
Por exemplo: ali na estrada do Golfe está uma tampa de saneamento a verter uma merda fétida há mais de dois anos. Passam por ali muitas pessoas, inclusivé autarcas de Silvalde e de Espinho. Ao lado, as duas autarquias até fizeram um campo de treinos para futebol, demoliram a antiga sede do golfe (a tal que era para uma pousada da juventude...) e já colocaram postes para iluminação nocturna (enquanto na cidade há ruas iluminadas a abrecús) para bem do dito futebol.
Mas voltando á tampa e à trampa, o fedorento líquido vertido estende-se pelo rêgo até á passagem de Silvalde. E sabem porquê? É que autorizaram a ligação de algumas indústrias e residências àquele colectora quando ainda havia Serviços Municipalizados de saneamento. Só que o colector não tem saída e bota por fora. Agora só quando ligarem a rede de saneamento á estação de tratamento em construção no campo de aviação.
Ora com os coleiformes a norte da cidade foi a mesma bandalheira durante anos. Toda a gente sabia (e sabe) que as descargas de água do tanque da piscina revolvem o lodo do rio onde se depositam os rilhotos que contêm os ditos cujos coleiformes. Estes vão para o mar e se a colheita de água do mar para análise coincidir com as descargas, dá coleiformes em excesso; se fôr noutro dia não dá excesso; mas dá.
Na praia da Baía, antigamente Baía dos Porcos, os coleiformes não aparecem por causa do esporão. A Câmara agora já mandou projectar um novo emissário para a rua 8, de norte a sul, para evitar que o existente, que já não tem capacidade, transborde a rilhotada para o emissário da Piscina e os leve para o rio Largo.
Por fim resta dizer que só nos veremos livres dos coleiformes quando a estação de tratamento estiver a funcionar lá para daqui a dois anos. E que o projecto de execução do exutor submarino que levará o sumo para 500 metros da praia ainda não está pronto. Porquê? Por causa da dormência...
A Vassoura (225)
Espinho Vareiro, 28 de junho de 1991