SABIA QUE OS CORREIOS SÃO MUITO IMPORTANTES?
Por muito que lhe custe acreditar, confesso que não sabia. Foi preciso os solícitos Correios de Portugal me convencerem. Estou-lhes, por isso, profundamente grato. A sua amabilidade foi, de facto, notável!
Devo reconhecer que só agora me foi dado reencontar a paz com a minha consciência. Até há momentos, e apesar de anualmente enviar e receber centenas de cartas e postais, sentia-me um autêntico trânsfuga. Pela reconversão, estou a pensar seriamente, num dos próximos Domingos à tarde, alugar um carro de som e percorrer a engarrafada baixa gritando um slogan apropriado. Fiquei também a saber, - oh santa ignorância! —, que somos dos Correios da Europa que melhor qualidade oferecem. E eu a pensar que eram os outros, como os ingleses, com as suas Estações silenciosas, a fila única ordenada, a rapidez, a cortesia e a eficiência no atendimento! E eles, ingleses, que tanto se queixam dos seus Serviços em cartas publicadas em jornais de circulação diária superior a três milhões de cópias. Ou será que eles têm mais espírito critico por não verem tanta telenovela, tanto concurso e tanto futebol na televisão?
Fiquei também embasbacado ao saber que 75% dos Correios estarão informatizados no final deste ano. Sinceramente, pensava que os computadores já colocados eram a fazer de conta, pois nunca consegui ser suficientemente perspicaz para notar a mínima diferença com a falta deles. Na Inglaterra, os computadores por trás dos balcões dos Correios quase passam despercebidos. Aqui são ostensivos. Serão eles, aqui, manifestações de algum novo-riquismo?
Todas estas imprescindíveis informações acompanharam gentilmente um inquérito recente. Este, elaborado por uma selectíssima equipa de especialistas na matéria, tem o especial condão de fazer os Correios olhar para o seu próprio umbigo. Dos sete pontos, apenas um (a qualidade do serviço prestado) merece resposta séria e util. Aos outros, que responda o dito cujo francês.
Speakeasy Jones
Octávio Lima
Espinho Vareiro, 12 de junho de 1992
