O protesto do PSD contra o logotipo de promoção turística do Concelho animou substancialmente a Assembleia de 29 de Junho. Tudo porque o logotipo não dizia nada a ninguém, uma vez que não incluía o «tradicional símbolo do concelho — o golfinho».
Até Amadeu Morais fazia humor: «Pode ser um logotipo de uma marca de conservas qualquer». António Canastro (PS) ripostou, duro. Havia «falta de sensibilidade no PSD sobre este tipo de questões». Havia «muita presunção» quando se afirmava ser o «logotipo perfeitamente inócuo». Chocado com estas afirmações ficou Jorge Alves que interveio para devolver, firme, a « falta de sensibilidade» atribuída ao PSD e referir a falta de transparência no processo de criação do logotipo. É que havia fumos de irregularidades: em 3 de Maio, o Executivo Camarário deliberara abrir um concurso de ideias para a elaboração do logotipo e, em 24 de Maio, aprovara um logotipo «oferecido» por uma empresa e anulara o concurso. José Mota rebatia: «O processo foi tão transparente que este logotipo foi de borla!»
O GOLPE DE ESTADO DA SARDINHA
A animação foi tal que Correia de Araújo (CDS) ironizava com um «golpe de estado da sardinha»», Rui Abrantes (CDU) com uma « guerra de alecrim e manjerona»» e Jorge Carvalho (CDU) serenava os ânimos dizendo que «O logotipo não é tão importante que faça o PSD bloquear as ruas de acesso à Câmara para não o deixar sair»». Embora considerando correcto o processo adoptado pela Câmara, não gostava nada do logotipo: «No meu tempo era bife com ovo a cavalo. Com a crise que por aí anda, é ovo com faneca a cavalo». Daí a abstenção, excepcional, da CDU na votação deste protesto, que foi derrotado pelos 14 votos do bloco PS (10), PSN (3) e CDS (1).
QUE PATERNIDADE?
A recente assinatura do protocolo de adesão da Câmara ao Plano de Erradicação das Barracas mereceu também um voto de congratulação apresentado pelo PSD, exortando-se a Câmara a aproveitar a oportunidade para «assegurar e garantir uma adequada, harmoniosa e saudável utilização do solo em toda a área do Concelho». Antes da sua aprovação unânime, Amadeu Morais e José Mota envolveram-se em acesa discussão acerca da paternidade da iniciativa. Enquanto Morais insistia que o processo fora iniciado no executivo de RomeuVitó, Mota jurava alto e bom som que o Programa Contra a Pobreza lançado pela Câmara anterior nada tinha a ver com o Programa de Erradicação de Barracas, muito embora os estudos feitos na altura tivessem sido aproveitados para o actual programa.
MEMÓRIAS CURTAS
Não pretendendo polemizar mas antes informar os leitores, recorremos às memórias do «ESPINHO VAREIRO». Já em 28 de Junho de 1993 — coincidência cronológica! — Rolando de Sousa informava a Assembleia Municipal sobre a construção de 48 casas de renda social. Na altura o Vereador socialista tentava justificar o abandono do regime de renda económica das 34 casas da Avenida S. João de Deus e a sua venda em hasta pública. Posteriormente, em 7 de Setembro de 93, a Câmara admitiu 28 empresas ao concurso público para fornecimento de projectos de estabilidade, electricidade, telefones e gás «com vista à construção de dois blocos habitacionais de 48 fogos destinados ao realojamento de famílias residentes em barracas» (sic). Mas o projecto dos anunciados 48 fogos a construir na Quinta Marinha vem de 1976 quando da construção dos blocos ali existentes.
Então foi abandonada a edificação dos 48 fogos devido ao perigo das arremetidas do mar, na altura sem os actuais esporões a fazer-lhe frente. Em 1991 a vereadora D. ElsaTavares iniciou o processo de lançamento de construção social e a Repartição Técnica da Câmara propôs a retoma do projecto, agora em causa levemente reconvertido pelos serviços de arquitetura camarários.
COMÍCIO
José Mota fez o regimental discurso do estado do concelho. Após 35 minutos de intervenção grandiloquente e inúmeras perguntas, ficámos a saber que:
1 — A Câmara ajudou a abortar a negociata do aluguer do Cineteatro S. Pedro à Igreja do Reino de Deus por 800 contos mensais.
2—A Câmara já não quer vender o parque subterrâneo junto da Estação.
3—A Câmara já avançou com a caução sobre os 37 lotes de terreno a expropriar ao Parque da Cidade.
4— Falta avançar com o processo de expropriação de 40 lotes para o estádio municipal a construir no Parque da Cidade, informou Rolando de Sousa.
5 — A situação do cemitério de Anta é catastrófica: não há sepulturas vagas. Os próximos mortos irão ser enterrados no anexo, que nenhuma dignidade tem.
6—O edifício da Escola da Rua 23 vai ser demolido — apenas se aproveita a fachada.
Octávio Lima
Espinho Vareiro, 8 de julho de 1994