Greve na Fábrica Fontes

Manuel Fontes recusa o diálogo e provoca confrontação

As cerca de 300 trabalhadoras da Empresa Têxtil Manuel Pereira Fontes, de Espinho, mantêm-se em greve, desde sexta-feira dia 24.6.88, em solidariedade com a sua camaraa do trabalho Idalina Gomes Campos e com a dirigente sindical Marta Ribeiro, ambas suspensas pela empresa no dia referido. 
Desde então, o Sindicato dos Trabalhadores do Sector Têxtil de Aveiro tudo tem feito para resolver a situação, o que se tem mostrado impossível dada a afrontosa fuga ao diálogo por parte da Administração. Manuel Pereira Fontes, o patrão da «Fontes» pura e simplesmente deixou de aparecer na empresa. Não compareceu a uma reunião com o sindiato no dia 28.6.88 na delegação do Ministério do Emprego e Segurança Social de Aveiro. Limitou se a enviar um advogado sem poderes para decidir fosse o que fosse. Não aceitou as propostas que o sindicato nesta reunião fez; Recusa as propostas da Inspecção do Trabalho, que visitou a empresa no sentido de reunir com os trabalhadores e o seu sindicato. Não dá ouvidos às opiniões de advogados e encarregados da empresa que lhe procuram demonstrar a injustiça das suspensões.

Tudo isto com o objectivo, que agora está a ficar claro, de «vergar» os trabalhadores, isto porque: Os empregados de escritório não aderem à greve. No entanto, ontem, «receberam ordens» de abandonar a empresa impossibilitando assim que hoje fosse pago o salário do mês de Junho. 
A uma gravo Injustiça, a Manuel Pereira Fontes junta mais um factor de conflito: o não pagamento dos galários do mês. Tudo numa demonstração de arbitrariedade e prepotência patronal inconcebível no Portugal democrático. 
Os trabalhadores têm resistido e combatido firmemente pelos seus direitos e dignidade. Mantêm-se em greve. Ontem manifestaram-se nas ruas de Espinho. Recebem a solidariedade do movimento sindical do distrito. Estão dispostos a continuar a luta na certeza de que a razão está do seu lado. 
S. João da Madeira, 1 de Julho de 1988 
A Direcção do Sindicato dos Trabalhadores do Sector Têxtil de Aveiro 

N. de R. — A greve foi sanada no fim do dia 4, depois de uma reunião entre dirigentes sindicais e a administração.

Espinho Vareiro, 8 de julho de 1988