Maioria prepara assalto à praia



A Maioria social democrata e centrista da Câmara aprovou o projecto de prolongamento da esplanada da beira-mar. Bártolo, Rolando è Casal Ribeiro estão contra: 4000 m2 de praia vão desaparecer.

O Projecto fora adjudicado ao Arquitecto Marques de Aguiar em 27 de Março de 1990 com base num estudo seu aprovado em 6 de Junho de 1989 pela Câmara de Lito de Almeida. Quem mandou alterar? 
Tudo estaria bem se na Memória Descritiva apresentada como «Aditamento ao Aditamento» não constasse o seguinte: «Posteriormente à entrega do primeiro estudo da Esplanada, a Piscina foi motivo de estudo, que implica um novo alinhamento da frente poente». Aqui reside o busílis. 
Artur Bártolo não se deixou ir na onda e, subscrito por Rolando de Sousa, declarou para a acta do Executivo de 29 de Junho último: «Como membro da actual Câmara desconheço quem e em que data foram dadas instruções ao arquitecto para subordinar o seu estudo à Piscina. Este assunto deve ser suficientemente esclarecido dado que a Câmara ainda não apreciou o Projecto da Piscina (...)» «Do processo consta também o ofício de 15.5.92 da Direcção- Geral de Portos que (...) "emite parecer favorável ao projecto (...) alertando, no entanto, para a conveniência de se proceder a um recuo do alinhamento da esplanada junto à Piscina e dos edifícios de apoio à praia em virtude de, em determinadas situações de temporal, o espraiamento da vaga ainda poder atingir esses locais" (...)» «Pelos vistos este alerta (...) não foi suficiente para despertar a Câmara. (...) Não compreendo como a Câmara decide fazer orelhas moucas aos alertas da Direcção-Geral de Portos e de "motu próprio" faça avançar sobre a praia o passeio da esplanada mais de 40 metros roubando à praia uma substancial quantidade de areia.». «Atrevo-me (...) a sugerir à Câmara que reflicta seriamente na atitude que pretende tomar e não tome medidas irreversíveis (...) Os interesses de Espinho e das suas gentes não podem ser postos em jogo de loteria.» 

A JAPAC mandou na Esplanada 

Para Casal Ribeiro, a implantação do projecto, tal como está elaborado, «acarreta riscos para a obra e implica que na prática resulte no fim da praia a norte da Piscina visto que esta avança 40 metros para poente do edifício actual, os quais se prolongam por 115 metros a norte do edifício. Esta implantação do projecto mais a poente do que inicialmente constava em estudo apresentado à Câmara foi condicionado, como consta do processo, por reuniões com os responsáveis da empresa a quem fora adjudicado o projecto da Piscina, mas cujo contrato ainda não foi visado pelo Tribunal de Contas (...)» «O projecto do passeio da beira-maré que deve condicionar o da Piscina, voltando à implantação inicialmente prevista, e não o contrário», conclui este Vereador em declaração de voto. 

Dou liberdade 

Artur Bártolo solicitara que Vitó esclarecesse quando e quem dera instruções a Marques de Aguiar para subordinar o seu estudo da Esplanada aò projecto da Piscina.
O Presidente disse: «Sobre o assunto não me pronuncio mas dou liberdade de acção ao Senhor Vereador Artur Bártolo para se dirigir directamente ao Senhor Arquitecto Marques de Aguiar para ser esclarecido sobre o assunto.» (sic) 

Agradeço a liberdade 

Perante tal magnanimidade, Bártolo respondeu com bonomia: «Agradeço a liberdade que o Senhor Presidente me dá mas dispenso-a porque não preciso dela para fazer perguntas a quem quer que seja. Se fiz a pergunta ao Senhor Presidente da Câmara foi porque ele é o representante legal da Câmara e responsável pela legalidade das deliberações tomadas.» 

Revitalização do aeródromo 

Apesar de já aprovado pela Câmara em 7.5.91, Vitó fez aprovar novamente o projecto de revitalização do aeródromo de modo a poder seguir para o Fundo de Turismo. Casal Ribeiro votou contra enquanto Bártolo e Rolando se quedaram pela abstenção, todos argumentando não fazer sentido aprovar um documento que já tinha sido aprovado e pelo facto da proposta não possibilitar alterações ao projecto de execução que, segundo os pareceres e a informação do Departamento Técnico, muito o beneficiariam.

Octávio Lima
Espinho Vareiro, 10 de julho de 1992