A quadruplicação da via férrea

CP PRETENDE SOLUÇÃO BRUTAL QUE AFECTA PROGRESSO DE ESPINHO

«O projecto de quadruplicação da linha ferroviária teria efeitos brutais sobre o concelho de Espinho» — sublinhou o presidente da Câmara, José Mota, na sessãode ontem da edilidade local. José Mota criticou asperamente a falta de diálogo manifestada pela CP, tanto mais que, ao abrigo da Lei, a Câmara teria de dar um parecer sobre o projecto em causa, o que nem sequer foi proporcionado por aquela empresa.  
E acrescentou: «Não podemos aceitar que os projectos regionais e nacionais se sobreponham aos projectos locais: em democracia, devem ser articulados os diferentes pontos de vista». 
O presidente da Câmara espinhense sublinhou ainda que, «sendo esta cidade o centro urbano mais afectado pela quadruplicação da linha, o mínimo que seria de esperar era que tivesse havido uma apresentação formal do estudo prévio à Câmara Municipal, para avaliação das dramáticas implicações que este projecto inevitavelmente encerra». 
Com efeito, o centro urbano de Espinho seria o mais afectado em toda a linha do Norte, como é realçado pelo estudo de Impacto Ambiental: o número de composições a grande velocidade iria aumentar drasticamente, tornando inevitável a intensificação urbanística e psicológica do efeito de ´muro' 
«Assim, a qualidade urbana desta importante cidade da Área Metropolitana do Porto está em perigo: a qualidade de vida das populações nunca mais seria a mesma» — acrescentou José Mota. Por outro lado, «a quadruplicação da linha comprometeria a viabilidade económica, cultural e desportiva do investimento superior a três milhões de contos para a construção do Centro Multimeios, a reabilitação das marinhas, a reconversão da ex-fábrica Brandão Gomes, a construção do Parque Urbano Desportivo e a renovação da piscina-solário Atlântico». 
Ao recusar veementemente a solução pretendida pela CP, José Mota avança com três alternativas: um traçado alternativo, o rebaixamento da plataforma e a interrupção da quadruplicação em Esmoriz. 
José Mota, que vai solicitar de imedato a intervenção da ministra do Ambiente, terminou a sua intervenção, salientando: «A CP não vai conseguir parar o desenvolvimento de Espinho. Nem eu, nem avereação, nem a população, o permitiremos. Não sabem com quem se meteram. Cá estaremos para mostrar a força da nossa razão ou, se for caso disso, a fúria do nosso desespero».

Espinho Vareiro, 26 de jjulho de 1996