A VASSOURA (345)

OUVI-NOS, SENHORES!


O Público, atento, alertou: a praia de Espinho
É barulhenta e tem o areal da Baía todinho
Para desporto de exibição. E os iludidos praístas
Que vêm para a praia, assim como os turistas,
Chegam ali à esplanada que lhe fica em frente
E vêem: no mastro a bandeira azul, tremelente, 
Um palco ao lado e norte muito areal decente. 
E nessa imensidão de espaço a mostrar o cabedal, 
Meia dúzia de marmanjos aos saltos, em exibição, 
A jogar volei. E na borda do mar, uma legião, 
De banhistas, como sardinhas enlatadas. 
E nas barracas e barraquinhas, por ali discriminadas. 
Brinca-se de dia. E de noite, os passeantes aturam 
Uma chinfrineira musical que sempre zurram 
Daquele palanque que serve para tudo 
Como se estivessemos em Fevereiro no entrudo.
 Senhores responsáveis, se é que o são, 
Atendem os lamentos da maioria ou não?

Poeta Acácio
Espinho Vareiro, 17 de julho de 1996