OUVI-NOS, SENHORES!
O Público, atento, alertou: a praia de EspinhoÉ barulhenta e tem o areal da Baía todinhoPara desporto de exibição. E os iludidos praístasQue vêm para a praia, assim como os turistas,Chegam ali à esplanada que lhe fica em frenteE vêem: no mastro a bandeira azul, tremelente,Um palco ao lado e norte muito areal decente.E nessa imensidão de espaço a mostrar o cabedal,Meia dúzia de marmanjos aos saltos, em exibição,A jogar volei. E na borda do mar, uma legião,De banhistas, como sardinhas enlatadas.E nas barracas e barraquinhas, por ali discriminadas.Brinca-se de dia. E de noite, os passeantes aturamUma chinfrineira musical que sempre zurramDaquele palanque que serve para tudoComo se estivessemos em Fevereiro no entrudo.Senhores responsáveis, se é que o são,Atendem os lamentos da maioria ou não?
Poeta Acácio
Espinho Vareiro, 17 de julho de 1996