EM NOME DO PATRIMÓNIO
No passado dia 5 de Julho a AF de Espinho tomou conhecimento do parecer dado pela comissão nomeada pela Câmara sobre o destino a dar ao edifício da ex-Escola Primária da Rua 23.
A comissão, de que fizeram parte Rolando de Sousa e os Arquitectos Isabel Zenha, Vasco Soares e Nuno Lacerda, defendem «a manutenção do actual edifício nas suas volumetrias e traça arquitectónica, com o aproveitamento renovado do seu interior (...) sem alteração do espírito tipológico do imóvel» (sic). Nem uma palavra sobre o pedido de desafectação do edifício de estabelecimento escolar para outros fins.
O Presidente da JF, António Catarino, torce o nariz. Ele faz questão de sublinhar que esta opção traz para a Câmara «elevados encargos financeiros». Em vez disso, defende «a demolição total do imóvel e construção de outro (...) em que a Junta (...) ficaria com um espaço apropriado às instalações que necessita» (sic). Esta sim, seria a solução ideal. Até porque, garante António Catarino, esta hipótese «não traria qualquer encargo financeiro nem para a Junta nem para a Câmara» (sic).
Como? perguntava Hernani Barrosa (CDU). Significa isso que o edifício não seria da Junta e seria a construtora a «pôr e dispôr»? Sobre isso, António Catarino mostrou-se algo agastado. Uma coisa garantiu: «O segredo é a alma do negócio» (sic).
Mas o edifício a construir de raiz teria, ainda segundo António Catarino, mais contrapartidas para a Junta. Teria uma sala convívio para a terceira idade, um infantário, salas para colectividades e... «lojas comerciais». Lojas não, dizia Assunção Pinto (PS). Lojas seriam para a Tourada. Ali, na Rua 23, ficaria bem um auditório, do tamanho da actual sala de reuniões da Assembleia Municipal!
Em nome dos comerciantes
O encerramento da Rua 23 ao trânsito foi defendido por Manuel Gomes de Oliveira (PSD) em nome dos comerciantes daquela artéria. O texto do abaixo-assinado ainda a circular entre os comerciantes da Rua 23 considera que é preciso «dar um forte safanão» na estagnação e tristeza que dominam a Rua 23. É preciso torná-la atraente para o visitante e o turista. Daí que, para além do seu fecho ao trânsito, se deverá imitar a pavimentação e a iluminação da Rua 19. Ainda em nome dos comerciantes da Rua 23, Manuel Gomes de Oliveira garantiu que o Município teria, com este projecto, receitas mais interessantes do que as conseguidas com os parquímetros.
Em nome da rentabilidade
António Catarino informou ainda que é sua intenção levar José Mota à Tourada para lhe mostrar o estado de degradação em que se encontram as bancadas. Objectivo: conseguir que a Câmara envie pessoal para desmontar as bancadas. É que, com o espaço libertado, a JF poderá cedê-lo e fazê-lo render...
Octávio Lima
Espinho Vareiro, 15 de julho de 1994