ASSEMBLEIA MUNICIPAL

PROMESSAS ADIADAS


Os 34 fogos da Avenida S. João de Deus, em Silvalde, eram para realojar as famílias do degradado Bairro camarário. Só que elas não puderam enfrentar os preços e a Câmara não conseguiu vender as casas em hasta pública. Agora vai tentar vendê-las a não residentes. Os do Bairro que aguentem. A procissão ainda vai no adro mas já se ouvem novas promessas.

A maioria PSD-CDS aprovou à tangente, no passado dia 28 de Junho, o novo regulamento da alienação dos 34 fogos da Avenida S. João de Deus, em Silvalde, permitindo a sua venda a não residentes no Concelho. Para o Presidente Vitó, o caso era muito fácil de explicar. Ao construir as casas, verificara-se que os alicerces exigiam estacaria e os custos seriam mais altos do que os previstos. 
Daí ter a Câmara decidido abandonar o regime de renda económica e avançar com a alienação em hasta pública e, com o produto da sua venda, iniciar a construção de outras 48 casas de renda social, próximas daquele local. Rolando de Sousa, por outro lado, avançava com perspectiva diferente. A Câmara vira-se forçada a vender as casas para poder pagar o saneamento básico nas freguesias. «Aliás, quando a Câmara comprou a fábrica Pereira Alves, pensou-se logo em realojar as pessoas do Bairro da Câmara», afirmava o Vereador socialista, que ainda atribuiu culpas ao Governo pela não construção de habitação social em Espinho desde 1980. 

Que honra? 

Pronta foi a reacção da Oposição. Enquanto Rui Abrantes (CDU) acentuava que a verdadeira razão das modificações verificadas fora o buraco orçamental da Câara e não o aumento de custos das fundações das casas, Jorge Carvalho (CDU) frisava: « Mais importante que as necessidades financeiras da Câmara são as promessas feitas para realojar as pessoas.» Para Carlos Gaio ( PS), a opção da Câmara falhara redondamente porque não conseguira vender as casas nem tivera receitas. E vaticinava um futuro negro: seria difícil vendê-las devido ao preço e à localização. 

Que segregação? 

Segundo Correia de Araújo (CDS), a Câmara acabara, na prática, por ser comerciante como tantos outros, e seria uma ilegalidade e uma segregação fechar a compra das casas a não residentes no Concelho. «Segregacionismo é ter prometido casas e depois tirar-lhes o prato como quem diz "Os das barracas não têm classe para ter aquelas casas"», ripostou Jorge Carvalho ainda antes de desabafar: «O CDS é a laranja mecânica do PSD. Mecanicamente apoia-o». No rescaldo, ainda havia quem afirmasse «nunca vi escrito em lado nenhum que aquelas casas eram para realojar os do bairro». Era Ricardo Catarino ( PSD).

Escola e Tourada: que futuro? 

O PS fez votar uma moção no sentido da procura de soluções alternativas para o espaço da Tourada e da efectiva reconstrução da Escola da Rua 23. O documento considerava ainda «ser possível e urgente reunir o consenso das duas autarquias, como entidades capazes de resolverem os problemas que se lhes deparam, sem cruzar os braços numa lamentável e indesejável atitude de passividade». Mas o PSD votava contra. 

Brasão na mesma 

A Assembleia rejeitou ainda uma proposta do CDS visando alterar os dizeres da tarja ou listel sotoposto ao escudo passando-os de «Cidade de Espinho» para «Espinho». É que «nunca ninguém se sentiu ofendido», como disse Jorge Carvalho.

Octávio Lima
Espinho Vareiro, 9 de julho de 1993