ASSEMBLEIA MUNICIPAL

ATERRO ATÉ QUANDO?

A Assembleia voltou a insistir no desmantelamento do aterro ilegal da Rua Nova à Ponte de Anta ao aprovar por unanimidade uma recomendação do PSD nesse sentido. 

O documento subscrito por Manuel Osório justificava a insistência pelo facto do assunto já ter sido objecto de idêntica recomendação da Assembleia (Nota de Redacção: em 14.3.96, por iniciativa da CDU) e até agora, aparentemente, nenhuma medida ter sido tomada. E, para aquele vogal, a manutenção do aterro poderia propiciar o aparecimento de uma construção clandestina. O vereador Rolando de Sousa informou que a Câmara já mandara instaurar três processos ao empreiteiro responsável pela criação do aterro. Mesmo assim, a Assembleia, com o seu voto unânime, reiterou o princípio de não pactuar com ilegalidades nem de se conformar com factos consumados.

Subempreiteiros impunes?

Ao contrário de outras reuniões, a de 5 de Julho foi célere. Dir-se-ia que o cheiro a férias fez milagres. Foi aprovada por unanimidade uma recomendação do PSD defendendo a colocação de grades protectores nos boeiros. O Presidente da Junta de Freguesia de Anta, João Félix, aproveitou mais uma vez a oportunidade para desancar nos subempreiteiros que abrem valas em Anta e depois as deixam mal tapadas. Mais: não têm respeito por um Presidente de Junta. Ao falar com um deles, na rua, para tentar convencê-lo a deixar as coisas em condições, o chefe de obras ter-lhe-à dito para se identificar!

João Félix

Viva a parabólica!

Outro documento, também do PSD, mereceu algum debate animado. Tratava-se de recomendar que a Câmara persuadisse os proprietários de antenas parabólicas a retirá-las das varandas onde estavam colocadas. Tudo porque as antenas desfeiavam as fachadas dos edifícios e se tornavam perigosas por possível queda sobre os transeuntes. Inadmissível numa terra que se queria assumir como turística, acentuou Amadeu Morais. 
Com algum humor interveio Correia de Araújo. E as marquises e a roupa estendida nas varandas não desfeitava as fachadas? E os reclamos luminosos também não podiam cair na cabeça dos transeuntes? As parabólicas estavam seguras. Havia muitas outras coisas mais gravosas do que isto! 
Para Jorge Carvalho, as parabólicas não passavam de um dos artefactos de exibição, de afirmação pessoal, social e económica dos Espinhenses, dos Portugueses, quiçá uma pecha da sociedade internacional de consumo. 
A Câmara tinha muito mais coisas com que se entreter, disse Carlos Gaio: «Deixem as parabólicas em paz. E olhem que eu até moro num rés-do-chão e num prédio sem parabólicas!» 
Posta à votação, a recomendação passaria quase à tangente: 10 votos a favor, 7 contra e 4 abstenções. 
Finalmente, a primeira revisão do orçamento de 1996 foi aprovada em tempo recorde. Sem discussão. Visivelmente satisfeito, Rolando de Sousa saía da reunião com os seus dossiers.

Octávio Lima
Espinho Vareiro, 17 de julho de 1996