Até Outubro de 1980

Solverde pagou 2.729 contos de multas!


Em 15 de Setembro do ano findo, «EV» solicitou ao Conselho de Inspecção de Jogos que o informasse sobre o quantitativo de multas que a Solverde liquidara até àquela data, por não ter cumprido as obrigações contratuais da concessão de exploração da zona de jogo. 
Decorrido um mês, o C. I. J. respondeu a informar que a Secretaria de Estado do Turismo, por despacho do seu titular, iria responder através dos serviços competentes. Até hoje não o fez, o que é de estranhar... 
Como os meses passassem sem a informação, tratamos de obter os valores pedidos através de outra entidade, o que conseguimos em 20 de Julho findo. Todavia, e conhecedores que algo se maquinava a nível de gabinetes para a prorrogação da concessão à Solverde até ao ano 2005, em condições que se prevêem não serem as que melhor servem os interesses de Espinho e das suas populações, aguardamos a sua publicação para este número, cientes que a cabala em preparação vai merecr a atenção, e a intervenção de alguns deputados eleitos pelo povo do distrito de Aveiro, afim de que esses interesses sejam devidamente acautelados . 
Para reforçar a nossa desconfiança, verificámos uma desenfreada propaganda das realizações efectuadas e programadas, que, afinal, não são mais que obrigações constantes de uma proposta que, apreciada com outras, venceu o concurso estatal oportunamente aberto, nos últimos dias, na Imprensa do país. 
A ser verdadeira, e a tornar-se realidade, a prorrogação da exploração, o anterior concurso não passou de uma farsa que irá cercear possíveis e valiosas propostas que um novo concurso, em 1988, poderá conceder para nova concessão. É necessário que o Poder Local e os deputados do distrito tomem disso consciência e denunciem, pública e oficialmente, mais este inaceitável projecto inconfessável e vicioso. 
Já no agravamento (?) das obrigações pela passagem da exploração a permanente, Espinho e as suas populações saíram altamente prejudicadas ao serem «beneficiadas» com pouco mais de 20 mil contos, quando os valores proporcionais apontam para mais de 200 mil contos. Por outro lado, os Concorrentes adversários da Solverde poderiam ter valorizado mais as suas propostas se soubessem que a zona passava a permanente passados dois anos e que seria prorrogada até ao ano 2005 no final. Teria sido mais decente ter posto a concessão a concurso por 30 anos em vez de se andar com este jogo de gabinete que beneficia meia dúzia de «açambarcadores» que fazem parte de uma sociedade que prometeu a aplicação de todos os resultados da exploração em benefício da terra, como muito bem frisou no seu programa de intenções, antes de apanhar a concessão. 
Mas estes golpes desavergonhados só podem ser possíveis se existir na sombra dos centros de decisão campadrios desonestos, e também interessados em luvas chorudas para fazer um pé de meia avantajado. Uma sociedade que se inicia com um capital de 14 mil contos, e passa para 98 mil e apregoa realizações de dois milhões de contos, grande parte reversível para si, é de facto muito «benemérita» para os espinhenses... 
Espinho não pode continuar a ser prejudicada pelos «ratos» da sua sociedade. O Governo não pode, nem deve, avalizar mirabolantes conluios de compadres. Pelo nosso lado, não vamos permitir que os arranjos feitos para defraudar a terra e as suas gentes , surjam como irreversíveis...

Espinho Vareiro, 28 de agosto de 1981