A recente declaração do presidente da direcção do Sp. C. Espinho sobre a intenção do Clube estar firmemente decidido a construir o seu estádio, veio reanimar os desportistas espinhenses ciosos do seu maior Clube e dos seus feitos por ele alcançados.
O sonho de Espinho possuir um estádio desportivo reporta-se a 1972, altura em que uma comissão de que faziam parte quatro antigos presidentes da direcção do Sp. de Espinho, - Arq.°Jerónimo Reis, Dr. Ferreira Campos, Eng.º Américo Gomes e Marçal Duarte, além de outras dedicações do clube -, se lançou na expectativa de levar a bom termo a iniciativa.
A pretensão foi prontamente apoiada pelos espinhenses, desportistas ou não, conscientes da precaridade das instalações do Campo da Avenida tanto em acessos e parqueamento de viaturas como em comodidades a oferecer aos espectadores. O projecto teve tanta receptividade que até a Solverde no seu programa de promessas para o concurso de exploração da zona de jogo, a que concorreu e ganhou, ofereceu importante verba para a sua construção.
Com a revolução de 25 de Abril de 1974, o desenrolar dos acontecimentos provocou as mais disparatadas reacções, tanto dos novos senhores da verdade e das decisões como dos apeados dos poderes que possuiam e perderam. E da legítima e bem intencionada escolha dos terrenos para a construção de um Complexo Desportivo Municipal surgiu o braço de força entre a autarquia e um poder económico local desesperado por não ser tido nem achado no processo e, caricatamente, sentir-se espoliado numas insignificantes tapadas de mato.
E se a primeira Câmara pós 25 de Abril presidida pelo então revolucionário Bártolo, teve seguimento na do seu sucessor José Fonseca, já no segundo mandato de Bártolo e seguintes assistiu-se à mais rídicula farsa de que há memória em Espinho representada pelo poder político. As desculpas para manter o processo engavetado e as recauchutagens e enxertos feito no ultrapassado Campo da Avenida, demonstraram bem até que ponto a falta de palavra e dignidade foi atributo de alguns políticos locais dirigentes desportivos. Tudo quieto e manso em troca de salamaleques e pratos de lentilhas.
Nem o local escolhido, nem o projecto feito, nem os milhares de contos do contribuinte gastos na aquisição dos terrenos, nem as promessas políticas feitas impediram que rastejassem na poalha do vil metal parte dos senhoritas que juraram defender com lealdade os poderes que lhes foram confiados em acto solene público.
Mas não há mal que sempre dure e, em vez de um, parece que vamos ter dois estádios para bem da juventude e colectividades. O Municipal para a generalidade desportiva do concelho e o do Sp. de Espinho para o futebol de competição nos vários escalões. O tempo o dirá.
A. M.
Espinho Vafreiro, 13 de setembro de 1991