Como noutro local noticiamos, o primeiro-ministro, Dr. Mário Soares, convidou os directores dos órgãos de comunicação social de âmbito regional para um encontro no Palácio de S. Bento para a passada sexta-feira, com a finalidade de uma troca de impressões sobre a mesma imprensa e os problemas nacionais em geral.
Dos cerca de 300 jornais convidados, entre os quais o Espinho Vareiro, apenas centena e meia se apresentou nos jardins do Palácio de S. Bento para o diálogo proposto entre o Governo e a imprensa Regional.
Feitas bem as contas, parece-nos que só metade acorreu ao convite do primeiro-ministro, aproveitando a ocasião para lhe ter apresentado os problemas e as dificuldades com que se de debate a Imprensa Regional. E a outra metade que não foi lá como o Espinno Vareiro. Que motivos terá levado a outra centena e meia de jornais a não comparecer ao amável convite do sr. prinreiro-ministro? Desinteresse, pura e simplesmente? Descrença em que alguém queira ou possa resolver os problemas da Imprensa Regional? Convencimento de que só iria ouvir uma mera «conversa fiada»?
Julgamos que a ausência da outra metade no Palácio de S. Bento não se deveu a qualquer daqueles motivos. Estamos em crer que como o Espinho Vareiro, a maior parte daqueles jornais não tinham disponíveis no seu parco orçarnento os três ou quatro contos para a viagem e estadia em Lisboa. Aqui é que está o problema! Todos nós sabemos que os jornais regionais, independentes do poder político e do poder económico, lutam com sérias dificuldades financeiras. Os seus orçamentos são reduzidos, limitando-se as verbas arrecadadas dos seus assinantes e anunciantes que são totalmente absorvidas pela feitura do jornal.
Apenas se salvam aqueles poucos jornais que têm atrás de si o poder económico que os financia para lhes dar a respectiva cobertura. A esses não custou a deslocação ao Palácio de S. Bento. Tiveram a honra de almoçar com o sr. primeiro-ministro. Os outros, aqueles que não têm sequer um centavo para mandar cantar um cego, limitraram-se a ficar à porta com a esperança de que os problemas sérios da Imprensa Regional ali fossem debatidos.
Pelas noticias dos jornais diários parece que efectivamente alguns problemas ali foram postos à consideração do primeiro-ministro, mas o que ninguém ousou dizer ali foi porque é que a outra metade tinha ficado em casa. Era fácil de deduzir, depois de alguns dos presentes terem dito que a Imprensa Regional lutava com graves dificuldades económicas, que os outros não tinham comparecido porque não tinham dinheiro para a deslocação e estadia na capital.
É de boa educação aceitar-se os convites amáveis e graciosos, mas também é preciso que quem convida saiba como deve convidar para não ficar com a casa vazia. Por tudo isto, Espinho Vareiro não teve a honra de almoçar com o Dr. Mário Soares.
Francisco Azevedo Brandão
Espinho Vareiro, 12 de agosto de 1983