É necessário zelar pela defesa do ambiente
A polémica sobre a defesa do ambiente na Terra levantada na cimeira do Rio de Janeiro, acordou muitas consciências para a desgraça qúe espera o nosso planeta caso não sejam tomadas medidas urgentes para eliminação das causas já identificadas que estão a destruir a vida no planeta.
Em Portugal a Quercus já exigiu a criação de um Plano Nacional do Ambiente e esta atitude leva-nos a lembrar que Espinho também deve ter um Plano Concelhio do Ambiente. Basta o responsável pelo pelouro, Artur Bártolo, meter mãos à obra chamando a si a orientação dessa iniciativa. Existem elementos sobre poluição tanto na autarquia como no Centro de Saúde, ministério e Secretaria de Estado que bastam para se iniciar um programa sério de defesa do ambiente no nosso concelho.
O concelho de Espinho está em vias de, a partir do fim do ano, ter uma rede de saneamento básico ímpar no país com a entrada em funcionamento da Estação de Tratamento de Águas Residuais, e a implantação em curso de redes saneadoras nas freguesias. A poluição fabril também deve ser evitada se as poucas unidades que a produzem forem sensibilizadas para o efeito. A poluição sonora, especialmente a nível de motorizadas está, em grande parte, ao alcance da vigilância das autoridades policiais para a sua redução e progressiva eliminação. Os «jeeps» e «triciclos» todo o terreno que andam a destruir as dunas das praias do concelho em loucas manifestações de perícia podem ficar sob a alçada da Polícia Marítima, a tal que ninguem vê a não ser nos dois mais intensos meses de praia.
Os três cursos de água do concelho, autênticos esgotos de resíduos tóxicos industriais de fábricas de papel e cortiça que nos concelhos vizinhos estão nas suas margens e, em menos quantidade, de esgotos domésticos, devem ser objecto de especial atenção por parte das autoridades concelhias. A recente análise feita a estes ribeiros pela J.S.D demonstra que dentro da cidade os esgotos domésticos poluem segnificativamente as suas águas.
E para quando as placas sonoras prometidas há cerca de dois anos pela CP para absorver o ruído dos comboios na sua passagem disparada atravessando a cidade? Dois anos é muito tempo para cumprir uma promessa.
Por fim a Reserva Nacional e Integral da Lagoa de Paramos que a portaria 896/84 criou e que a Câmara nunca, em tempo algum, deu a mínima atenção, apesar de ser a responsável pelo seu cumprimento como está taxativamente exarado. Naquela portaria praticamente ali o exercício da caça impunemente porque, para cúmulo, não existem placas proibitivas de caçar, fáceis de obter e ainda mais fáceis de aplicar, e assim salvar centenas de aves que ali procuram descanso e alimentação nas suas arribações.
O trânsito de veículos, a construção clandestina e o despejo de esgotos na ribeira que desagua na Lagoa são atentados ao espírito da Reserva que urge eliminar de imediato. Se for desenvolvido pelas autarquias um trabalho sério e interessado, Espinho poderá, a curto prazo, ter grande parte dos seus problemas ambientais resolvidos.
Espinho Vareiro, 31 de julho de 1992