ESCOLA E TOURADA: QUE FUTURO?
O futuro dos edifícios da ex-escola Primária da Rua 23 e da Tourada voltaram à liça na Assembleia Municipal de 28 de Junho. As várias tentativas para acelerar soluções adequadas têm sido, no entanto, constantemente esquecidas. Altura para uma breve viagem pelas memórias do ESPINHO VAREIRO.
4.7.91 — António Catarino, Presidente da Junta de Freguesia (JF) de Espinho, afirma na Assembleia Municipal: «A Junta de Freguesia não precisa de um tostão da Câmara para fazer uma sede. Dêem-lhe apenas o terreno.»
4.12.91 — A JF de Espinho solicita à Câmara a desafectação dos terrenos da Praça de Touros e da ex-Escola Primária da Rua 23 a fim de ser autorizada a sua utilização para construção com outros fins. O Executivo camarário, que regista a falta dos Vereadores Valdemar Ribeiro (PSD) e Casal Ribeiro (CDU), convida a JF a especificar os fins que se pretende, e solicita o parecer do seu consultor jurídico.
10.3.92 — O Departamento Técnico chumba a desafectação da Praça de Touros solicitada pela Junta de Freguesia de Espinho por, segundo o Plano de Urbanização, a Tourada estar afectada para o Ensino.
1.7.92 — A Escola da Rua 23 deverá ser reconstruída e adaptada a sede da JF de Espinho, segundo recomendação do PS aprovada por maioria na Assembleia Municipal. Apenas 10 vogais do PSD votam contra, inclusive os 4 Presidentes de Junta do PSD. Alcino Ribeiro (PSD) vota favoravelmente enquanto Manuel Salvador (PS) se abstém. Ricardo Catarino (PSD): « Só por sentimentalismo se poderá preservá-la». Jorge Carvalho (CDU): «Sou contra a demolição e a construção de um prédio igual a milhares de outros, quiçá igualzinho a outro numa recôndita rua de Brunoy». Romeu Vitó: «Temos o ónus do IPPC que está em cima do imóvel».
10.7.92— Câmara deverá equacionar as possibilidades de reconversão da Praça de Touros, segundo recomendação do PS aprovada unanimemente pela Assembleia Municipal.
30.9.92 — A Assembleia de Freguesia de Espinho delibera convidar os vogais da Assembleia Municipal e os media locais para uma conferência de imprensa para uma maior sensibilização da opinião pública sobre o destino da Praça de Touros.
16.10.92 — O ESPINHO VAREIRO revela em 1ª mão o interesse na reconversão da Tourada por parte de uma empresa, através de proposta à Junta de Freguesia feita em Agosto. O esquiço prevê um foyer para café concerto, exposições e comércio, um restaurante e self-service para 250 pessoas, um restaurante giratório para 150 pessoas, uma sala de dança para 150 pessoas, uma discoteca para 600 pessoas, um auditório para 150 pessoas e uma sala de jogos para 70 pessoas. 17.10.92—A JF de Espinho dá conferência de imprensa na Tourada com o objectivo de sensibilizar as instituições e a opinião pública para a reconversão daquele espaço. António Catarino ( PSD): « Vender a Tourada, nunca! Pelo menos enquanto eu for Presidente».
4.11.92 — A JF de Espinho anuncia a realização de um inquérito público sobre o destino da Escola Primária da Rua 23 para a sua sede. A Junta e a Assembleia defendem a demolição do edifício e a construção de uma sede de raiz, mas é o povo quem mais ordena.
18.1.93 — Na Assembleia Municipal, a CDU põe em causa a validade e a credibilidade do inquérito realizado pela JF de Espinho sobre o futuro da Escola da Rua 23. As abstenções do CDS e do Presidente da JF de Silvalde Abel Gonçalves (PS) deixam cair a moção. Refira-se que apenas 23% responderam ao inquérito. Dos 8.000 distribuídos, a JF apenas recebeu, 1825 respostas. 48% diziam apoiar a construção, naquele local, de um novo edifício para sede, 38% apoiavam a adaptação da velha escola a sede e 14% de «distraídos» respondiam nulo ou em branco.
28.6.93 — Na Assembleia Municipal, o PS faz aprovar uma moção no sentido da procura de soluções alternativas para a Praça de Touros e da efectiva reconstrução da escola da Rua 23. O PSD vota contra.
Octávio Lima
Espinho Vareiro, 9 de julho de 1993