BICO CALADO? QUERIAM...
Foi recentemente escrito que a Assembleia Municipal, à falta de melhores temas para se entreter, se tinha envolvido na gestão da Solverde. Será este mais um caso para desconfiar que os sintomas da doença das vacas loucas acometeram cabeças cá da terra outrora aparentemente imunes? Recordemos. Tudo começou quando, em 3 de Maio, a CDU fez aprovar uma proposta para que a Câmara solicitasse, junto da Solverde, a aceleração da execução das obras no Cinema do Casino, para este poder condignamente satisfazer a natural procura dos veraneantes. O CDS e o PS consideraram a iniciativa louvável. Apenas o PSD, através de Dulce Campos, foi contra por achar que « a proposta não se justifica até porque só há 15 dias a Câmara aprovou o anteprojecto. E, por serem obras com concurso público, demoram muito mais tempo do que seria normal».
Perplexo, um Vogal interrogavase como podia ter o Casino colocado taipais e tapado janelas ainda antes da aprovação do anteprojecto. Instado o Presidente Romeu Vitó disse nada. Dissonante esteve o jovem Vogal Jorge Alves (PSD): absteve-se.
Posteriormente, a Solverde, que se saiba uma empresa de espinhenses para desenvolver Espinho fez chegar à Assembleia Municipal o seu vivo repúdio pela «despropositada» e «inadmissível» « tentativa de ingerência na gestão da empresa».
Qual «voz do dono», alguém faz agora eco de sensibilidades feridas. Grave: diz que a Assembleia Municipal, democraticamente eleita em 1989, foi e é um pesadelo, e que está, felizmente, a chegar ao fim do seu mandato. Mais grave: aconselha o eleitorado espinhense a ter cuidado com os candidatos que elege.
Para «a voz do dono», qualquer problema, mesmo o mais inócuo, deveria ser disfarçado, omitido, esquecido, escondido e enterrado. Para «a voz do dono» a Assembleia Municipal deveria ser, à sua imagem e semelhança, acéfala, monocórdica e uníssona, e reboque dos seus caprichos.
Não ver, não ouvir, não falar, seria a sua paneceia ideal. Areia para os olhos há muita. Mas só para os distraídos. E não consta que Assembleia Municipal o seja.
Espinho Vareiro, 16 de julho de 1993