A VASSOURA (378)

O FOGUETÓRIO


Já troaram os primeiros morteiros 
Dos quatro dias que vai durar a festança. 
Gasta-se dinheiro a rodos em estouros foleiros, 
Só para satisfazer vaidades e Cagança. 

Antigamente, nas parvónias isoladas, 
Quando o dinheiro se contava aos tostões, 
Com puns de foguetes às bateladas, 
É que se avisavam da festa os foliões. 

Agora, na época d'ouro das electrónicas, 
Andar a fazer propaganda de festinhas, 
Ao som de fartos foguetórios! 

Dane-se quem não gosta de festas sónicas, 
Aguente-se quem não grama ajuntamentos, 
Porque manda quem tem gostos simplórios.

Poeta Acácio
Espinho Vareiro, 19 de setembro de 1997